Religioso
cearense, destacou-se internacionalmente
quando ocupava a arquidiocese de Olinda
e Recife, ao sair constantemente em
defesa dos direitos humanos, durante
o regime militar brasileiro instalado
em 1964.
Foi um dos idealizadores da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
fundada em 1952, uma das entidades
responsáveis pela inclusão
do problema das desigualdades sociais
no discurso e ações
da Igreja Católica no Brasil.
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Por essa atuação,
teve vários atritos com
os militares e por muitas vezes
a imprensa brasileira foi impedida
pela censura oficial de publicar
suas declarações
e até mesmo de citar
o seu nome.
Nasceu a 07 de fevereiro de
1909, em Fortaleza, Ceará,
num anexo de uma escola pública
cuja diretora era sua mãe,
a professora Adelaide Rodrigues
Pessoa Câmara.
Seu pai, o guarda-livros e
crítico de teatro João
Eduardo Torres Câmara
Filho, deu-lhe o nome de Hélder
depois de descobrir num dicionário
o significado da palavra: "Hélder,
fortaleza do Norte da Holanda".
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Dom Hélder Câmara teve
12 irmãos, dos quais cinco
morreram em 29 dias, em consequência
de uma epidemia de difteria. Foi com
os sete irmãos que escaparam
que viveu sua infância até
a entrada no Seminário de Fortaleza,
de onde saiu padre aos 22 anos e meio.
Em 1931 aderiu ao Integralismo (versão
brasileira do Fascismo) que viria
a abandonar cinco anos depois. Exerceu,
em Fortaleza, suas atividades sacerdotais
entre intelectuais e operários,
nunca tendo sido vigário.
Trabalhou ativamente na Liga Eleitoral
Católica do Ceará e,
em 1934, foi nomeado pelo governador
Francisco Menezes Pimentel diretor
do Departamento de Educação
do Estado, cargo equivalente hoje
a secretário estadual de educação.
Em 1936 padre Hélder vai morar
no Rio de Janeiro, onde é nomeado
assistente técnico do Secretariado
de educação do então
Distrito Federal. É nomeado
pelo arcebispo do Rio, Dom Sebastião
Leme, diretor do Ensino Religioso
e da Renovação Catequética
do arcebispado e, em seguida, torna-se
inspetor de ensino do Ministério
da Educação.
Posteriormente, torna-se membro do
Conselho Superior de Ensino. Enquanto
esteve no Ministério da educação,
paralelamente é conselheiro
da Nunciatura Apostólica.
Em 1946 desliga-se do ministério
da Educação, pois o
arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime
de Barros Câmara (substituto
de Dom Leme), pretende nomeá-lo
seu bispo auxiliar. Essa nomeação,
porém, só é efetivada
em 1952.
Em 1950, ao tomar parte do Congresso
Mundial do Apostolado Leigo, em Roma,
torna-se amigo do então monsenhor
Montini (futuro Papa Paulo VI) e expõe
os planos de fundar a CNBB, da qual
viria ser primeiro secretário-geral
(de 1952 a 1964) e secretário
de Ação Social (1964-68).
Enquanto bispo-auxiliar do Rio de
Janeiro, funda o Banco da Previdência
e a Cruzada de São Sebastião,
para prestar assistência social
aos moradores das favelas cariocas.
Dom Hélder foi, ainda, delegado
do Brasil na Conferência Geral
do Episcopado Latino-Americano (CELAM)
e seu vice-presidente entre 1958-60
e 1964.
Divergências com o arcebispo
Dom Jaime Câmara afastam Dom
Hélder do Rio de Janeiro. Chega
a ser nomeado oficialmente para o
Maranhão, mas, com a morte
do arcebispo de Olinda e Recife, é
mandado para Pernambuco, onde desembarca
a 12 de abril de 1964, poucos dias
após o golpe militar brasileiro.
Dom Hélder fica na Arquidiocese
de Olinda e Recife até sua
aposentadoria, a 10 de abril de 1985,
quando é substituído
pelo arcebispo Dom José Cardoso
Sobrinho.
Morreu em sua casa, no Recife, às
22h20 de 27 de agosto de 1999, vítima
de insuficiência respiratória
aguda, decorrente de uma pneumonia,
depois de haver passado cinco dias
hospitalizado. Uma multidão
acompanhou o seu corpo que foi conduzido,
em carro do Corpo de Bombeiros, até
a Igreja da Sé, em Olinda,
onde foi sepultado.
Pelo seu trabalho em defesa dos direitos
humanos, Dom Hélder recebeu
vários prêmios internacionais,
entre os quais destacam-se o Prêmio
Martinho Luter King, Estados Unidos,
1970, e o Prêmio Popular da
Paz, Oslo, Noruega, 1974. Entre as
honrarias, recebeu títulos
de Doctor Honoris Causa em universidades
de vários países.
Autor de 22 livros, a maioria ensaios
e reflexões sobre o Terceiro
Mundo e a Igreja.
Algumas de suas obras:
+ Revolução
Dentro da Paz, Editora Sabiá,
Rio de Janeiro, 1968. Traduzido para
o alemão, holandês, inglês,
francês e italiano.
+ Terzo
Mondo Defraudado, Editora Missionária
Italiana, Milão, 1968.
+ Spirale de Violence, Ediciones
Desclée de Brower, Paris, 1978.
Traduzido para o português,
espanhol, sueco, alemão, norueguês,
holandês, chinês, italiano
e inglês.
+ Pour
Arriver à Temps, Ediciones
Desclée de Brower, Paris, 1970.
Traduzido para o espanhol, alemão,
italiano, holandês, sueco, inglês
e grego.
+ Le Désert est Fertile,
Ed. Desclée de Brower, Paris,
1971. Traduzido para o português
(1975), espanhol, italiano, holandês,
inglês e coreano.
+ Pier
Pour les Riches, Ed. Pendo-Verlag,
Zurique, 1972.
+ Um
Olhar Sobre a Cidade, Editora Civilização
Brasileira, Rio de Janeiro, 1976.
+ Les
Conversiones D'um Éveque, Ed.
Seuil, Paris, 1977. Também
em italiano, alemão e inglês.
+ Mil
Razões para Viver, Ed. Civilização
Brasileira, Rio de Janeiro, 1979.
Traduzido para o francês e o
alemão.
+ Renouveau dans l'Esprit et
Service l'Homme, Ed. Lumem Vitae,
Bruxelas, 1979. Traduzido para o italiano,
português e inglês.
+ Nossa
Senhora no Meu Caminho - Meditações
do Padre José, Edições
Paulinas, São Paulo, 1981.
+ Indagações
sobre uma vida melhor, Ed. Civilização
Brasileira, Rio de Janeiro, 1986.
Para saber mais sobre Hélder
Pessoa Câmara, ver os seguintes
livros:
+ Os
Caminhos de Dom Hélder - Perseguições
e Censura, Marcos Cirano, Editora
Guararapes, Recife, 1983.
+ O Monstro
Sagrado e o Amarelinho Comunista,
Assis Claudino, Editora Opção,
Rio de Janeiro, 1985.
+ A Imprensa
e o Arcebispo Vermelho, Sebastião
Antônio Ferrarini, Edições
Paulinas, São Paulo, 1992.
+ Dom
Helder por Marcos de Castro, Edições
Graal, Rio de Janeiro, 1978.
+ A Igreja
e a Política no Brasil, Márcio
Moreira Alves, Editora Brasiliense,
São Paulo, 1979.
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